Sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra
O meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
(antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa)
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
eu o pico do Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente - tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris - já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião - não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais - também, já por cá
passaram.
E sou, no sentido mais enérgico da palavra
na carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnífica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-los semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnífico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!
Mário Cesariny
Pena Capital II
pena capital
2ª edição
Assírio & Alvim
quarta-feira, 12 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
LER ALTO
16 - Domingo
18h30 - sede da ArQuente, Faro - Ler Alto - sessão de leitura com poetas convidados, aberta à intervenção do público, dinamizado por Pedro Afonso
LerAlto - espaço de
partilha e convívio
O LerAlto é um evento que se pretende que funcione como mostra, através da leitura, do trabalho dos poetas, mas do qual se espera que seja também uma partilha e um espaço de convívio. Assim, convidam-se os poetas a participar lendo os seus poemas e a apresentar-se ao público e que este, a quem também se pede participação, entre em diálogo com os poetas.
O LerAlto teve início em 2005, acontecendo sempre no bar d’Os Artistas, em Faro e prolongou-se por cerca de dois anos com sessões mensais neste mesmo espaço. Deste evento nasceram vários projectos ligados à poesia e foi criada uma dinâmica importante que deu a conhecer novos autores da região ao público da poesia e possibilitou que vários autores se conhecessem pessoalmente.
Nesta rubrica LerAlto, que decorrerá no dia 16, pelas 18h30m, no âmbito do Festival Poesia&Companhia, convidamos quem escreve a vir dar a conhecer o seu trabalho e quem gosta de ouvir poesia a vir ouvir e conhecer os poetas. Haverá também espaço para quem queira ler os seus poemas favoritos, falar deles e dos seus autores.
Do dinamizador:
Pedro Afonso nasceu em Faro em 1979 e é onde vive e trabalha. É autor de dois livros de poesia, "ainda aqui este lugar", 4águas, 2008 e "a mesma cantiga de sempre", Lua de Marfim, 2012. Está representado em várias antologias, sendo a mais recente "Algarve – 12 Poetas a Sul do Século XXI", Livros Capital, 2012. Foi um dos fundadores do Sulscrito – Círculo Literário do Algarve e fez parte da direcção da revista literária com o mesmo nome. Fez parte da organização de vários eventos na área da literatura, entre eles o encontro de escritores Palávra Ibérica e o LerAlto.
OFICINA DE VOZ
16 - Domingo
15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (1), por João Machado
João Vaz Machado nasceu a 1-8-1966 em Serpa , tirou o curso de actor no I.F.I.C.T.( Instituto de Formação Investigação e Criação Teatral), o curso de Imagem Audiovisual na Escola António Arroio, o Curso de Formadores na Área de cinema pela Algarve film comission, Frequentou o curso de Teatro físico, com o grupo: Fura Del Baus em 1996, Lisboa. Frequentou o curso de Caricatura Teatral na Universidade de Berkeley em S .Francisco, Califórnia.
Encenou uma dezena de peças de Teatro entre Lisboa e Algarve, e tem representado; Peças/ Performances/ Hapenings. continua a Lecionar, a escrever e representar, participa e desenvolve peças de video Artìstico e experimental.
WORKSHOP DE VOZ por João Machado
dias 16 e 30 de Março e 13 de Abril– módulos individuais – cada sessão 10 Euros – Total (pago de uma vez só) 25 Euros
"Produção de sons humanos emitidos pela laringe com o ar que sai dos pulmões, faculdade de falar, grito de queixa, protesto ou reclamação, clamor, brado, direito de exprimir uma opinião, boato, palavra, ordem militar dada em voz alta, contexto polifónico vocal ou instrumental( soprano, contralto, tenor e baixo) e claro, tudo isto assente numa base de exercícios de respiração disciplinar".
Workshop aberto a todos aqueles que querem aprender como melhor usar a voz, especialmente a quem usa a voz como ferramenta de trabalho.
SESSÃO I
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diária intensiva
- Descoberta do som
SESSÃO II
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Uso da palavra sonora
- Articulação-projecção-dicção
SESSÃO III
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diária intensiva
- Partitura de som
- Partitura de som e movimento
- Partitura de palavra e movimento
- Estilo: teatro, prosa, poesia e locução
OFICINA DE VÍDEO E POESIA
16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (1), por José Jesus
FORMAÇÃO VIDEO E POESIA - INSCRIÇÕES ABERTAS
E MAIL: poesia.companhia@gmail.com
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4 sessões -25 €
por José Jesus
1 sessão teórica, 3 sessões praticas (discussão e sistematização de conhecimentos)
Objetivos:
- A criação de um projeto pessoal de cada participante, a ser terminado e exibido durante o festival.
- Aprofundar conhecimentos relativos à linguagem vídeo e absorver para o contexto videográfico determinadas indicações da linguagem escrita.
- Transcender a ilustração vídeo de um poema e compreender a autonomia da unidade-plano, para a criação de um poema-vídeo.
FORMAÇÃO VIDEO E POESIA - INSCRIÇÕES ABERTAS
E MAIL: poesia.companhia@gmail.com
----->
4 sessões -25 €
por José Jesus
Sáb. 15 Março - 16h_17h30 (1), Sáb. 22 Março - 16h_17h30 (2), Dom. 23 Março - 16h_17h30 (3), Sáb. 29 Março - 16h_17h30 (4)
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Destinado a quem já tem conhecimentos básicos de captura e edição de vídeo.1 sessão teórica, 3 sessões praticas (discussão e sistematização de conhecimentos)
Objetivos:
- A criação de um projeto pessoal de cada participante, a ser terminado e exibido durante o festival.
- Aprofundar conhecimentos relativos à linguagem vídeo e absorver para o contexto videográfico determinadas indicações da linguagem escrita.
- Transcender a ilustração vídeo de um poema e compreender a autonomia da unidade-plano, para a criação de um poema-vídeo.
OFICINA DE POESIA
Dia 15 de Março - 16h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de poesia, por Tiago Nené - 10 Euros
Tiago Nené é um poeta nascido em Tavira em 1982. Editou alguns livros de poesia, entre os quais "Polishop" e "Relevo Móbil Num Coração de Tempo". Em 2013 recebeu uma menção honrosa no Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres com a obra, ainda inédita, "Nuvem Com Superfície Variável".
Oficina de escrita para Crianças
15 de Março- Sábado
11h_12h - sede da ArQuente, Faro - Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos (60 min) - 10 Euros - Mínimo de 5 crianças
Sara Monteiro nasceu em Lisboa, é escritora, professora de Escrita Criativa e Criatividade e coordenadora editorial. Tem vários livros publicados na área infanto-juvenil e colaboração dispersa em revistas e antologias.
Fragmentos (1)
os meus poemas não falam de mim
nem daquilo que eu conheço
os meus poemas são espelhos em
que podes ver-te no que desconheces
escrevo-me para que te possas ler
desconheço-me para que te conheças
nem daquilo que eu conheço
os meus poemas são espelhos em
que podes ver-te no que desconheces
escrevo-me para que te possas ler
desconheço-me para que te conheças
Luís Ene
A NOSSA E OUTRAS COMPANHIAS
Porque não queremos o público todo só para nós, e porque até dá para ir à ArQuente na próxima sexta-feira, e depois ir até Silves.
14 - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Sara Monteiro + leituras encenadas por José Jesus e Margarida Cândido Lopes
veja AQUI
E
No próximo sábado (dia 15 Mar), pelas 16h30, um dos maiores comunicadores e criativos portugueses, Paulo Condessa, apresenta o espectáculo "O grande plagiador" (cruzando satiricamente a obra de Fernando Pessoa com os meandros da política actual) na Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra.
A entrada é livre. Imperdível!
Uma parceria entre o Município de Silves/Biblioteca Municipal e a Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra no âmbito do projecto "A minha Freguesia a Ler+" e, assim, de uma política de descentralização cultural de dinâmicas e eventos.
A entrada é livre. Imperdível!
Uma parceria entre o Município de Silves/Biblioteca Municipal e a Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra no âmbito do projecto "A minha Freguesia a Ler+" e, assim, de uma política de descentralização cultural de dinâmicas e eventos.
Enquanto que se ficar na nossa companhia:
15 - Sábado
11h_12h - sede da ArQuente, Faro - Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos (60 min)
16h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de poesia, por Tiago Nené
16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (1), por José Jesus
segunda-feira, 10 de março de 2014
Leituras Encenadas
João Machado desdobra-se e duplica a qualidade da sua intervenção
dia 7 de Março, Leitura Encenada de poemas de Tiago Nené
A Companhia
Leila Leiras, a jornalista que conduz a rubrica "à conversa com..." um poeta a cada fim de tarde e aos finais de semana, durante o festival Poesia&Companhia.
LER ALTO
Dom. 16 Março - 18h30 e Dom. 20 Abril - 18h30 -
O LerAlto é um evento que se pretende que funcione como mostra, através da leitura, do trabalho dos poetas, mas do qual se espera que seja também uma partilha e um espaço de convívio. Assim, convidam-se os poetas a participarem lendo os seus poemas e a apresentar-se ao público e que este, a quem também se pede participação, entre em diálogo com os poetas.
O LerAlto teve início em 2005, acontecendo sempre no bar d’Os Artistas, em Faro e prolongou-se por cerca de dois anos com sessões mensais neste mesmo espaço. Deste evento nasceram vários projectos ligados à poesia e foi criada uma dinâmica importante que deu a conhecer novos autores da região ao público da poesia e possibilitou que vários autores se conhecessem pessoalmente.
Convidamos quem escreve a vir dar a conhecer o seu trabalho e quem gosta de ouvir poesia a vir ouvir e conhecer os poetas. Haverá também espaço para quem queira ler os seus poemas favoritos, falar deles e dos seus autores.
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O LerAlto é um evento que se pretende que funcione como mostra, através da leitura, do trabalho dos poetas, mas do qual se espera que seja também uma partilha e um espaço de convívio. Assim, convidam-se os poetas a participarem lendo os seus poemas e a apresentar-se ao público e que este, a quem também se pede participação, entre em diálogo com os poetas.
O LerAlto teve início em 2005, acontecendo sempre no bar d’Os Artistas, em Faro e prolongou-se por cerca de dois anos com sessões mensais neste mesmo espaço. Deste evento nasceram vários projectos ligados à poesia e foi criada uma dinâmica importante que deu a conhecer novos autores da região ao público da poesia e possibilitou que vários autores se conhecessem pessoalmente.
Convidamos quem escreve a vir dar a conhecer o seu trabalho e quem gosta de ouvir poesia a vir ouvir e conhecer os poetas. Haverá também espaço para quem queira ler os seus poemas favoritos, falar deles e dos seus autores.
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Formação - Plano
FORMAÇÃO
– POESIA & COMPANHIA
Curso
Breve de nova Literatura Portuguesa, por Paulo Pires -
Sáb.
29 Março - 16h_19h - Faro – 2. Poesia, - €10
***
Oficina
de poesia, por Tiago Nené
Sáb.
15 Março - 16h_18h - sede da ArQuente, Faro - €10, mínimo de
inscrições 5
Oficinas
de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos - €10
cada, minimo de inscrições 5
Sáb.
15 Março - 11h_12h - sede da ArQuente, Faro
Sáb.
19 Abril - 16h_17h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Escrita para
crianças, por Sara Monteiro
Oficina
de Vídeo e Poesia - por José Jesus - €30 total
Sáb.
15 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - (1), por José
Jesus
Sáb.
22 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e
Poesia (2),
Dom.
23 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e
Poesia (3), por José Jesus
Sáb.
29 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e
Poesia (4), por José Jesus
Oficina
de Voz, por João Machado - €30 total
Dom.
16 Março - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro (1)-
Dom.
30 Março - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (2)
Dom.
13 Abril - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (3)
Oficina
de escrita, por Luís Ene
Dom.
23 Março - 16h_18h - Tertúlia Algarvia - €10
Oficina
de performance , por Manuel Almeida Sousa - €20
Sáb.
5 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - (1)
Sáb.
12 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de performance (2)
Doze memórias doze
Não é a memória que
tropeça no poema
é o
poema que emerge sempre
em viva voz da clara luz dos teus olhos
doze anos e doze poemas afins
doze memórias doze vinte cinquenta cem
os anos não importam
porque a memória resgata sempre
o vicioso poema – o teu olhar
à distância que nos separa
Miguel Godinho
em viva voz da clara luz dos teus olhos
doze anos e doze poemas afins
doze memórias doze vinte cinquenta cem
os anos não importam
porque a memória resgata sempre
o vicioso poema – o teu olhar
à distância que nos separa
Miguel Godinho
Inscrições abertas - Workshop de voz
WORKSHOP DE VOZ por João Machado
dias 16 e 30 de Março e 13 de Abril– módulos individuais – cada sessão 10 Euros – Total (pago de uma vez só) 25 Euros
"Produção de sons humanos emitidos pela laringe com o ar que sai dos pulmões, faculdade de falar, grito de queixa, protesto ou reclamação, clamor, brado, direito de exprimir uma opinião, boato, palavra, ordem militar dada em voz alta, contexto polifónico vocal ou instrumental( soprano, contralto, tenor e baixo) e claro, tudo isto assente numa base de exercícios de respiração disciplinar".
Workshop aberto a todos aqueles que querem aprender como melhor usar a voz, especialmente a quem usa a voz como ferramenta de trabalho.
SESSÃO I
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Descoberta do som
SESSÃO II
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Uso da palavra sonora
- Articulação-projecção-dicção
SESSÃO III
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Partitura de som
- Partitura de som e movimento
- Partitura de palavra e movimento
- Estilo: teatro, prosa, poesia e locução
INSCRIÇÕES ABERTAS!
dias 16 e 30 de Março e 13 de Abril– módulos individuais – cada sessão 10 Euros – Total (pago de uma vez só) 25 Euros
"Produção de sons humanos emitidos pela laringe com o ar que sai dos pulmões, faculdade de falar, grito de queixa, protesto ou reclamação, clamor, brado, direito de exprimir uma opinião, boato, palavra, ordem militar dada em voz alta, contexto polifónico vocal ou instrumental( soprano, contralto, tenor e baixo) e claro, tudo isto assente numa base de exercícios de respiração disciplinar".
Workshop aberto a todos aqueles que querem aprender como melhor usar a voz, especialmente a quem usa a voz como ferramenta de trabalho.
SESSÃO I
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Descoberta do som
SESSÃO II
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Uso da palavra sonora
- Articulação-projecção-dicção
SESSÃO III
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Partitura de som
- Partitura de som e movimento
- Partitura de palavra e movimento
- Estilo: teatro, prosa, poesia e locução
INSCRIÇÕES ABERTAS!
poesia.companhia@gmail.com
Sara Monteiro responde ao desafio
O desafio estava/está lançado e eis que mais um poeta responde, uma poetisa para ser mais exacto.
-------------------->
-------------------->
Leve voa
Coração
de
dedos longos
leve voa
e leve
vai fiel
errando:
balão de vento
no azul
Sara Monteiro
------------------------------> A imagem a partir do qual o poema foi escrito é a ilustração deste outro poema. Assim de uma imagem para um poema passamos a um poema para uma imagem. Continuar o jogo de outra forma seria pedir agora uma nova imagem para este poema da Sara Monteiro. Mas o desafio está de pé.
Vejam os poemas ilustrados e escrevam novos poemas.
domingo, 9 de março de 2014
COMO VAI O FESTIVAL?
Como vai o Festival? - perguntam-me.
O festival vai bem e recomenda-se - respondo eu.
E estou convencido disso, não o digo só por dizer, por sedução ou comodidade.
Testado o modelo das "leituras encenadas" eis que ele funcionou bastante bem, dinâmico e instigante.
Iniciada a formação, com o primeiro módulo do Curso Breve de Nova Literatura Portuguesa, eis que a mesma teve lugar (havia um número mínimo obrigatório de inscrições) e correu sobre rodas, por assim dizer.
E o mais que são as pessoas também aconteceu, pessoas interessantes e interessadas.
Por tudo isto e o mais que calo, parafraseando Rui Manuel Amaral, deixem-me que vos diga:
Festival Poesia & Companhia?
Uma macieira que dá laranjas.
sábado, 8 de março de 2014
a praça de sempre onde não está ninguém
ouve-se o esforço dos braços queimados
de um amor,sempre, pelo pão e a família
trazendo à janta um olhar cansado,fadiga
dos anos assumidos nas rugas
de um amor,sempre, pelo pão e a família
trazendo à janta um olhar cansado,fadiga
dos anos assumidos nas rugas
meu irmão, o pai vai vender o peixe
à praça de sempre
onde não está ninguém
à praça de sempre
onde não está ninguém
dos livros, lemos como fazer um bom casamento
dos livros, fazemos que a índole caia em graça
e o volume da carcaça reparte-se pelos dedos
feridos das horas que passaram pela brasa
dos livros, fazemos que a índole caia em graça
e o volume da carcaça reparte-se pelos dedos
feridos das horas que passaram pela brasa
meu irmão,a mãe vai vender hortaliças
à praça de sempre
onde não está ninguém
à praça de sempre
onde não está ninguém
e se o mar é incerto e o campo é duro
toma por certo que cavalo é burro
se o passado voltar a ser futuro
toma por certo que cavalo é burro
se o passado voltar a ser futuro
meu irmão, também eu voltarei
à praça de sempre
onde não está ninguém.
à praça de sempre
onde não está ninguém.
Rogério Cão
quinta-feira, 6 de março de 2014
Suspenda-se-me
Suspenda-se o tempo
Maduro, caído
Do ventre arbóreo.
Suspenda-se o momento
Severo, saído
Da pena que sentencia
Um juízo sancionatório.
Suspenda-se o movimento
Da guilhotina
Que separa o sopé do cume.
Suspenda-se a mim
A mão de fumo que me acaricia
Antes que a mão de fumo que me acaricia
Se esfume.
Alexandre Homem Dual
Maduro, caído
Do ventre arbóreo.
Suspenda-se o momento
Severo, saído
Da pena que sentencia
Um juízo sancionatório.
Suspenda-se o movimento
Da guilhotina
Que separa o sopé do cume.
Suspenda-se a mim
A mão de fumo que me acaricia
Antes que a mão de fumo que me acaricia
Se esfume.
Alexandre Homem Dual
PROGRAMA DO FESTIVAL Por Temas - Formação, poetas e outros
Formação:
Sáb. 8 Março - 14h_18h -
sede da ArQuente, Faro - : 1. microficção, €10
Sáb. 29 Março - 16h_19h - Faro - 2. Poesia,
- €10
Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos - €10
Sáb. 15 Março - 11h_12h - sede da ArQuente, Faro -
Sáb. 19 Abril - 16h_17h - sede da
ArQuente, Faro - Oficina de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12
anos
Oficina de poesia, por Tiago Nené
Sáb. 15 Março - 16h_18h - sede da ArQuente, Faro - - €10
Sáb. 15 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - (1), por José Jesus
Sáb. 22 Março - 16h_17h30 - sede
da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (2),
Dom. 23 Março - 16h_17h30 - sede
da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (3), por José Jesus
Sáb. 29 Março - 16h_17h30 - sede
da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (4), por José Jesus
Oficina de Voz, por João Machado - €30
Dom. 16 Março - 15h_18h - sede da
ArQuente, Faro (1)-
Dom. 30 Março - 15h_18h - sede da
ArQuente, Faro - Oficina de Voz (2)
Dom. 13 Abril - 15h_18h - sede da
ArQuente, Faro - Oficina de Voz (3)
Oficina de escrita, por Luís Ene
Dom. 23 Março - 16h_18h -
Tertúlia Algarvia - €10
Oficina de performance , por Manuel Almeida Sousa - €20
Sáb. 5 Abril - 15h - sede da
ArQuente, Faro - (1)
Sáb. 12 Abril - 15h - sede da
ArQuente, Faro - Oficina de performance (2)
Dos poetas:
6.ª, 7 Março - 18h30_20h30 - sede
da ArQuente, Faro - À conversa com Tiago Nené + leituras encenadas por João
Machado
Sáb. 8 Março - 18h30_ 20h30 -
sede da ArQuente, Faro - À conversa com Fernando Cabrita & António Ventura
6.ª, 14 Março - 18h30_20h30 -
sede da ArQuente, Faro - À conversa com Sara Monteiro + leituras encenadas por
José Jesus e Margarida Cândido Lopes
6.ª, 21 Março - 18h30_20h30 -
sede da ArQuente, Faro - À conversa com Miguel Godinho + leituras encenadas por
Mauro Amaral
Sáb. 22 Março - 18h30_ 20h30 -
sede da ArQuente, Faro - “Jardim d’Inverno”, performance/ instalação de Ursula
Mestre e ninfas, com poemas de Alexandre Homem Dual
6.ª, 28 Março - 18h30_ 20h30 -
sede da ArQuente, Faro - À conversa com Rogério Cão & Luís Ene + leituras
encenadas pelos próprios
6.ª, 4 Abril - 18h30_20h30 - sede
da ArQuente, Faro - À conversa com João Bentes + leituras encenadas por
TeAtrito
Sáb. 5 Abril - 18h30_20h30 - sede
da ArQuente, Faro - À conversa com Paulo Rodrigues Ferreira (escritor e
livreiro)
6.ª, 11 Abril - 18h30 às 20h30 -
sede da ArQuente, Faro - À conversa com Luís Nunes Alberto + leituras encenadas
por Milai Miu & Teresa da Silva & Luís Ene
6.ª, 18 Abril - 18h30 às 20h30 -
sede da ArQuente, Faro - À conversa com Isa Mateus + Patrícia Amaral lê poemas
Outros:
Sáb. 1 Março - Cerimónia de
abertura: 16h - sede da ArQuente, Faro - Exposição de poemas ilustrados, por
Camila Beirão Reis
Sáb. 1 Março - A partir das 16h -
Palácio do Tenente, no 3.º BIVAR, Faro - Instalação: "Quem quer ser
Português?", por Luis Ene & Rui António
Sáb. 8 Março - 21h - sede da
ArQuente, Faro - Espectáculo: VJ Zayle (por confirmar)
Dom. 16 Março - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Ler Alto - sessão de leitura com poetas convidados, aberta à
intervenção do público, dinamizado por Pedro Afonso
6.ª, 21 Março - 21h - sede da
ArQuente, Faro - Espectáculo: Mauro Amaral & Amigos
Sáb. 22 Março - 18h30 - sede da
ArQuente, Faro - “Jardim d’Inverno”, performance/ instalação de Ursula Mestre e
ninfas, com poemas de Alexandre Homem Dual
Sáb. 22 Março - 21h - sede da
ArQuente, Faro - Cinema pelo Cineclube de Faro: “Autografia”, por Miguel
Gonçalves Mendes
3.ª, 25 Março - 21h_23h -
Tertúlia Algarvia - leituras encenadas por José Jesus e Margarida Cândido Lopes
de poemas de Sara Monteiro
Dom. 6 Abril - 18h30_20h30 - sede
da ArQuente, Faro - Instalação performance: "Quem quer ser
Português?", por Luis N, Rui António & ArQuente
Sáb. 12 Abril - 21h_23h - Museu
Arqueológico de Faro - Espetáculo a designar
Dom. 13 Abril - 18h30 - sede da
ArQuente, Faro - Apresentação do trabalho final da Oficina de Performance
4.ª, 16 Abril - 21h_23h -
Tertúlia Algarvia - leituras encenadas de, e por, Luís Ene
Sáb. 19 Abril - 21h - sede da
ArQuente, Faro - Espetáculo spoken word: Chullage
Dom. 20 Abril - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Ler Alto, sessão de leitura com poetas convidados, aberta à
intervenção do público, dinamizado por Pedro Afonso
4.ª, 23 Abril - Cerimónia de
fecho, Dia Mundial do Livro - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Apresentação do
trabalho final da Oficina de Voz
quarta-feira, 5 de março de 2014
O AMOR É UM BOSQUE VERDE
o meu amado é um urso
macio e peludo
protege-me do infinito
resguarda-me da eternidade
cerejas amoras morangos
carregados de mel vem
estendemos a toalha
comemos e bebemos comida
fresca
saciados adensamos
pelo bosque onde à noite
o lobo dança
veados corças cavalos
tordos melros cotovias
a poupa canta
o meu amado é um urso
de patas pesadas
que me protege de perguntas difíceis
dos mistérios do mundo
inventa bosques e sombras
não quer saber da verdade
a verdade é uma história indecente
que vive fora do bosque e do mel
de manhã no bosque
à noite no bosque
enquanto o lobo dança
e as amoras escorrem em sumo
pela pele
nada é transcendente
o céu pode deixar de existir
eu encosto-me ao urso
e só ficam as coisas da terra.
Sara Monteiro
---------------------------> ouça o poema AQUI!
macio e peludo
protege-me do infinito
resguarda-me da eternidade
cerejas amoras morangos
carregados de mel vem
estendemos a toalha
comemos e bebemos comida
fresca
saciados adensamos
pelo bosque onde à noite
o lobo dança
veados corças cavalos
tordos melros cotovias
a poupa canta
o meu amado é um urso
de patas pesadas
que me protege de perguntas difíceis
dos mistérios do mundo
inventa bosques e sombras
não quer saber da verdade
a verdade é uma história indecente
que vive fora do bosque e do mel
de manhã no bosque
à noite no bosque
enquanto o lobo dança
e as amoras escorrem em sumo
pela pele
nada é transcendente
o céu pode deixar de existir
eu encosto-me ao urso
e só ficam as coisas da terra.
Sara Monteiro
---------------------------> ouça o poema AQUI!
terça-feira, 4 de março de 2014
AINDA O DESAFIO
Já lancei aqui o desafio e dei-lhe uma primeira resposta. Agora lanço-o de novo e dou-lhe uma nova resposta. Escolhi uma ilustração de um poema da Sara Monteiro, que me dizia ainda ontem que não era capaz de escrever um poema a partir da ilustração do seu próprio poema e a quem respondi que o fizesse a partir de outra ilustração.
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POR ISSO
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POR ISSO
Quando eu era jovem a minha mãe vestia-me muitas vezes
em tons claros e escuros de castanho
e de bege
que é uma forma ainda mais aborrecida
de ser castanho
Por isso eu invejava as árvores que ao castanho do tronco
acrescentam o verde amarelo vermelho das folhas
e a poesia colorida das suas muitas flores e frutos
Por isso eu escrevia poemas tristes que falavam da morte
como uma coisa divertida que um dia me iria acontecer
Luís Ene, Faro, 5 de Março de 2014
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fim-de-semana Poesia & Companhia
MARÇO
7 - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Tiago Nené + leituras encenadas por João Machado
8 - Sábado
14h_18h - sede da ArQuente, Faro - Curso Breve de nova Literatura Portuguesa: 1. microficção, por Paulo Pires
18h30_ 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Fernando Cabrita & António Ventura
segunda-feira, 3 de março de 2014
PINGA
A meio da página pinga uma palavra
A meio da página, pinga uma palavra como qualquer
outra. Todavia...
Tudo havia efectivamente, carradas de palavras,
léxicos, dicionários, enciclopédias no entanto só pinga
pingou porque ninguèm pinga como pinga pinga, nem
mesmo essas orientalices, essas cinhesices do ping
pong.
A propósito, é melhor a arranjar a torneira.
Luis Nunes Alberto in Amor de Pedra, Algarve em Foco Editora
DESAFIO POÉTICO
Camila Beirão dos Reis, autora da exposição a ser vista na sede da ArQuente, lançou o desafio aos poetas que tiveram os seus poemas ilustrados para inverterem o processo e escreverem um poema a partir da ilustração. Está o desafio lançado, aos poetas ilustrados e também a quem o quiser aceitar. Iremos divulgando aqui os resultados. Visita a exposição, escreve um poema a partir de uma das ilustrações e envia-nos
A primeira resposta, o primeiro poema!
A primeira resposta, o primeiro poema!
CORPO DE POESIA
alguns dizem que temos
corpo
alguns dizem que temos
alma
alguns dizem que temos
corpo e alma
seja como for uma coisa
é certa
o corpo qualquer corpo
é composto de água
a alma qualquer alma
alimenta-se
de poesia
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