quarta-feira, 12 de março de 2014

AUTOGRAFIA

Sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

O meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
(antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa)
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
eu o pico do Everest 
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente - tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris - já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião - não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais - também, já por cá
passaram.
E sou, no sentido mais enérgico da palavra
na carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnífica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-los semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnífico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!



Mário Cesariny
Pena Capital II
pena capital
2ª edição
Assírio & Alvim

terça-feira, 11 de março de 2014

LER ALTO

16 - Domingo
18h30 - sede da ArQuente, Faro - Ler Alto - sessão de leitura com poetas convidados, aberta à intervenção do público, dinamizado por Pedro Afonso

LerAlto - espaço de partilha e convívio


O LerAlto é um evento que se pretende que funcione como mostra, através da leitura, do trabalho dos poetas, mas do qual se espera que seja também uma partilha e um espaço de convívio. Assim, convidam-se os poetas a participar lendo os seus poemas e a apresentar-se ao público e que este, a quem também se pede participação, entre em diálogo com os poetas.

O LerAlto teve início em 2005, acontecendo sempre no bar d’Os Artistas, em Faro e prolongou-se por cerca de dois anos com sessões mensais neste mesmo espaço. Deste evento nasceram vários projectos ligados à poesia e foi criada uma dinâmica importante que deu a conhecer novos autores da região ao público da poesia e possibilitou que vários autores se conhecessem pessoalmente.

Nesta rubrica LerAlto, que decorrerá no dia 16, pelas 18h30m, no âmbito do Festival Poesia&Companhia, convidamos quem escreve a vir dar a conhecer o seu trabalho e quem gosta de ouvir poesia a vir ouvir e conhecer os poetas. Haverá também espaço para quem queira ler os seus poemas favoritos, falar deles e dos seus autores.

Do dinamizador:

Pedro Afonso nasceu em Faro em 1979 e é onde vive e trabalha. É autor de dois livros de poesia, "ainda aqui este lugar", 4águas, 2008 e "a mesma cantiga de sempre", Lua de Marfim, 2012. Está representado em várias antologias, sendo a mais recente "Algarve – 12 Poetas a Sul do Século XXI", Livros Capital, 2012. Foi um dos fundadores do Sulscrito – Círculo Literário do Algarve e fez parte da direcção da revista literária com o mesmo nome. Fez parte da organização de vários eventos na área da literatura, entre eles o encontro de escritores Palávra Ibérica e o LerAlto.


OFICINA DE VOZ

16 - Domingo
15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (1), por João Machado


João Vaz Machado nasceu a 1-8-1966 em Serpa , tirou o curso de actor no I.F.I.C.T.( Instituto de Formação Investigação e Criação Teatral), o curso de Imagem Audiovisual na Escola António Arroio, o Curso de Formadores na Área de cinema pela Algarve film comission, Frequentou o curso de Teatro físico, com o grupo: Fura Del Baus em 1996, Lisboa. Frequentou o curso de Caricatura Teatral na Universidade de Berkeley em S .Francisco, Califórnia.

Encenou uma dezena de peças de Teatro entre Lisboa e Algarve, e tem representado; Peças/ Performances/ Hapenings. continua a Lecionar, a escrever e representar, participa e desenvolve peças de video Artìstico e experimental.


WORKSHOP DE VOZ por João Machado



dias 16 e 30 de Março e 13 de Abril– módulos individuais – cada sessão 10 Euros – Total (pago de uma vez só) 25 Euros

"Produção de sons humanos emitidos pela laringe com o ar que sai dos pulmões, faculdade de falar, grito de queixa, protesto ou reclamação, clamor, brado, direito de exprimir uma opinião, boato, palavra, ordem militar dada em voz alta, contexto polifónico vocal ou instrumental( soprano, contralto, tenor e baixo) e claro, tudo isto assente numa base de exercícios de respiração disciplinar".

Workshop aberto a todos aqueles que querem aprender como melhor usar a voz, especialmente a quem usa a voz como ferramenta de trabalho.

SESSÃO I
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diária intensiva
- Descoberta do som

SESSÃO II
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Uso da palavra sonora
- Articulação-projecção-dicção

SESSÃO III
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diária intensiva
- Partitura de som
- Partitura de som e movimento
- Partitura de palavra e movimento
- Estilo: teatro, prosa, poesia e locução


OFICINA DE VÍDEO E POESIA

16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (1), por José Jesus 


FORMAÇÃO VIDEO E POESIA - INSCRIÇÕES ABERTAS
E MAIL: poesia.companhia@gmail.com
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4 sessões -25 €
por José Jesus


Sáb. 15 Março - 16h_17h30 (1), Sáb. 22 Março - 16h_17h30 (2), Dom. 23 Março - 16h_17h30 (3), Sáb. 29 Março - 16h_17h30  (4)

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Destinado a quem já tem conhecimentos básicos de captura e edição de vídeo.

1 sessão teórica, 3 sessões praticas (discussão e sistematização de conhecimentos)

Objetivos:
- A criação de um projeto pessoal de cada participante, a ser terminado e exibido durante o festival.
- Aprofundar conhecimentos relativos à linguagem vídeo e absorver para o contexto videográfico determinadas indicações da linguagem escrita.
- Transcender a ilustração vídeo de um poema e compreender a autonomia da unidade-plano, para a criação de um poema-vídeo.

OFICINA DE POESIA

Dia 15 de Março - 16h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de poesia, por Tiago Nené - 10 Euros




Tiago Nené é um poeta nascido em Tavira em 1982. Editou alguns livros de poesia, entre os quais "Polishop" e "Relevo Móbil Num Coração de Tempo". Em 2013 recebeu uma menção honrosa no Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres com a obra, ainda inédita, "Nuvem Com Superfície Variável".



Oficina de escrita para Crianças

15 de Março- Sábado
11h_12h - sede da ArQuente, Faro - Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos (60 min) - 10 Euros - Mínimo de 5 crianças


Sara Monteiro nasceu em Lisboa, é escritora, professora de Escrita Criativa e Criatividade e coordenadora editorial. Tem vários livros publicados na área infanto-juvenil e colaboração dispersa em revistas e antologias.

Fragmentos (1)

os meus poemas não falam de mim
nem daquilo que eu conheço
os meus poemas são espelhos em
que podes ver-te  no que desconheces
escrevo-me para que te possas ler
desconheço-me para que te conheças

Luís Ene

A NOSSA E OUTRAS COMPANHIAS

Porque não queremos o público todo só para nós, e porque até dá para ir à ArQuente na próxima sexta-feira, e depois ir até Silves.

14 - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Sara Monteiro + leituras encenadas por José Jesus e Margarida Cândido Lopes


 veja AQUI

E

No próximo sábado (dia 15 Mar), pelas 16h30, um dos maiores comunicadores e criativos portugueses, Paulo Condessa, apresenta o espectáculo "O grande plagiador" (cruzando satiricamente a obra de Fernando Pessoa com os meandros da política actual) na Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra.

A entrada é livre. Imperdível!

Uma parceria entre o Município de Silves/Biblioteca Municipal e a Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra no âmbito do projecto "A minha Freguesia a Ler+" e, assim, de uma política de descentralização cultural de dinâmicas e eventos.

Enquanto que se ficar na nossa companhia:

15 - Sábado
11h_12h - sede da ArQuente, Faro - Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos (60 min)
16h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de poesia, por Tiago Nené
16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (1), por José Jesus

segunda-feira, 10 de março de 2014

Leituras Encenadas

João Machado desdobra-se e duplica a qualidade da sua intervenção



dia 7 de Março, Leitura Encenada de poemas de Tiago Nené

A Companhia

Leila Leiras, a jornalista que conduz a rubrica "à conversa com..." um poeta a cada fim de tarde e aos finais de semana, durante o festival Poesia&Companhia.

LER ALTO

Dom. 16 Março - 18h30 e Dom. 20 Abril - 18h30 -


O LerAlto é um evento que se pretende que funcione como mostra, através da leitura, do trabalho dos poetas, mas do qual se espera que seja também uma partilha e um espaço de convívio. Assim, convidam-se os poetas a participarem lendo os seus poemas e a apresentar-se ao público e que este, a quem também se pede participação, entre em diálogo com os poetas.

O LerAlto teve início em 2005, acontecendo sempre no bar d’Os Artistas, em Faro e prolongou-se por cerca de dois anos com sessões mensais neste mesmo espaço. Deste evento nasceram vários projectos ligados à poesia e foi criada uma dinâmica importante que deu a conhecer novos autores da região ao público da poesia e possibilitou que vários autores se conhecessem pessoalmente.

Convidamos quem escreve a vir dar a conhecer o seu trabalho e quem gosta de ouvir poesia a vir ouvir e conhecer os poetas. Haverá também espaço para quem queira ler os seus poemas favoritos, falar deles e dos seus autores.


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Formação - Plano

FORMAÇÃO – POESIA & COMPANHIA

Curso Breve de nova Literatura Portuguesa, por Paulo Pires -
Sáb. 29 Março - 16h_19h - Faro – 2. Poesia, - €10

***

Oficina de poesia, por Tiago Nené
Sáb. 15 Março - 16h_18h - sede da ArQuente, Faro - €10, mínimo de inscrições 5

Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos - €10 cada, minimo de inscrições 5
Sáb. 15 Março - 11h_12h - sede da ArQuente, Faro
Sáb. 19 Abril - 16h_17h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Escrita para crianças, por Sara Monteiro

Oficina de Vídeo e Poesia - por José Jesus - €30 total
Sáb. 15 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - (1), por José Jesus
Sáb. 22 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (2),
Dom. 23 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (3), por José Jesus
Sáb. 29 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (4), por José Jesus

Oficina de Voz, por João Machado - €30 total
Dom. 16 Março - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro (1)-
Dom. 30 Março - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (2)
Dom. 13 Abril - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (3)

Oficina de escrita, por Luís Ene
Dom. 23 Março - 16h_18h - Tertúlia Algarvia - €10

Oficina de performance , por Manuel Almeida Sousa - €20
Sáb. 5 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - (1)

Sáb. 12 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de performance (2)

Doze memórias doze

Não é a memória que tropeça no poema 
é o poema que emerge sempre
em viva voz da clara luz dos teus olhos
doze anos e doze poemas afins
doze memórias doze 
vinte cinquenta cem
os anos não importam
porque a memória resgata sempre 
o vicioso poema – o teu olhar
à distância que nos separa

Miguel Godinho

Inscrições abertas - Workshop de voz

WORKSHOP DE VOZ por João Machado

dias 16 e 30 de Março e 13 de Abril– módulos individuais – cada sessão 10 Euros – Total (pago de uma vez só) 25 Euros

"Produção de sons humanos emitidos pela laringe com o ar que sai dos pulmões, faculdade de falar, grito de queixa, protesto ou reclamação, clamor, brado, direito de exprimir uma opinião, boato, palavra, ordem militar dada em voz alta, contexto polifónico vocal ou instrumental( soprano, contralto, tenor e baixo) e claro, tudo isto assente numa base de exercícios de respiração disciplinar".

Workshop aberto a todos aqueles que querem aprender como melhor usar a voz, especialmente a quem usa a voz como ferramenta de trabalho.

SESSÃO I
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Descoberta do som

SESSÃO II
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Uso da palavra sonora
- Articulação-projecção-dicção

SESSÃO III
- Ginástica diária
- Exercícios de improvisação de som e movimento
- Técnicas de respiração
- Prática diaria intensiva
- Partitura de som
- Partitura de som e movimento
- Partitura de palavra e movimento
- Estilo: teatro, prosa, poesia e locução

INSCRIÇÕES ABERTAS!
poesia.companhia@gmail.com


Sara Monteiro responde ao desafio

O desafio estava/está lançado e eis que mais um poeta responde, uma poetisa para ser mais exacto.

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Leve voa 


Coração
de dedos longos
leve voa
e leve
vai fiel
errando: 
balão de vento 
no azul

Sara Monteiro


------------------------------> A imagem a partir do qual o poema foi escrito é a ilustração deste outro poema. Assim de uma imagem para um poema passamos a um poema para uma imagem. Continuar o jogo de outra forma seria pedir agora uma nova imagem para este poema da Sara Monteiro. Mas o desafio está de pé. 
Vejam os poemas ilustrados e escrevam novos poemas.

domingo, 9 de março de 2014

COMO VAI O FESTIVAL?

Como vai o Festival? - perguntam-me.
O festival vai bem e recomenda-se - respondo eu. 
E estou convencido disso, não o digo só por dizer, por sedução ou comodidade.
Testado o modelo das "leituras encenadas" eis que ele funcionou bastante bem, dinâmico e instigante. 
Iniciada a formação, com o primeiro módulo do Curso Breve de Nova Literatura Portuguesa, eis que a mesma teve lugar (havia um número mínimo obrigatório de inscrições) e correu sobre rodas, por assim dizer.
E o mais que são as pessoas também aconteceu, pessoas interessantes e interessadas.
Por tudo isto e o mais que calo, parafraseando Rui Manuel Amaral, deixem-me que vos diga:


Festival Poesia & Companhia? 
Uma macieira que dá laranjas.


sábado, 8 de março de 2014

a praça de sempre onde não está ninguém

ouve-se o esforço dos braços queimados
de um amor,sempre, pelo pão e a família
trazendo à janta um olhar cansado,fadiga
dos anos assumidos nas rugas

meu irmão, o pai vai vender o peixe
à praça de sempre
onde não está ninguém

dos livros, lemos como fazer um bom casamento
dos livros, fazemos que a índole caia em graça
e o volume da carcaça reparte-se pelos dedos
feridos das horas que passaram pela brasa

meu irmão,a mãe vai vender hortaliças
à praça de sempre
onde não está ninguém

e se o mar é incerto e o campo é duro
toma por certo que cavalo é burro
se o passado voltar a ser futuro

meu irmão, também eu voltarei
à praça de sempre
onde não está ninguém.

Rogério Cão

quinta-feira, 6 de março de 2014

Suspenda-se-me

Suspenda-se o tempo
Maduro, caído
Do ventre arbóreo.

Suspenda-se o momento
Severo, saído
Da pena que sentencia
Um juízo sancionatório.

Suspenda-se o movimento
Da guilhotina
Que separa o sopé do cume.

Suspenda-se a mim
A mão de fumo que me acaricia
Antes que a mão de fumo que me acaricia
Se esfume.

Alexandre Homem Dual

PROGRAMA DO FESTIVAL Por Temas - Formação, poetas e outros

Formação:

Curso Breve de nova Literatura Portuguesa,  por Paulo Pires - 
Sáb. 8 Março - 14h_18h - sede da ArQuente, Faro - : 1. microficção, €10
Sáb. 29 Março - 16h_19h - Faro - 2. Poesia, - €10

Oficinas de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos - €10
Sáb. 15 Março - 11h_12h  - sede da ArQuente, Faro - 
Sáb. 19 Abril - 16h_17h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Escrita para crianças, por Sara Monteiro - 8 aos 12 anos

Oficina de poesia, por Tiago Nené
Sáb. 15 Março - 16h_18h  - sede da ArQuente, Faro -  - €10

 Oficina de Vídeo e Poesia  - por José Jesus  - €30
Sáb. 15 Março - 16h_17h30  - sede da ArQuente, Faro - (1), por José Jesus 
Sáb. 22 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (2),
Dom. 23 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (3), por José Jesus
Sáb. 29 Março - 16h_17h30 - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Vídeo e Poesia (4), por José Jesus

Oficina de Voz, por João Machado - €30
Dom. 16 Março - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro  (1)- 
Dom. 30 Março - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (2)
Dom. 13 Abril - 15h_18h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de Voz (3)

 Oficina de escrita, por Luís Ene
Dom. 23 Março - 16h_18h - Tertúlia Algarvia - €10

Oficina de performance , por Manuel Almeida Sousa - €20
Sáb. 5 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - (1)
Sáb. 12 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de performance (2)


Dos poetas:

6.ª, 7 Março - 18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Tiago Nené + leituras encenadas por João Machado
Sáb. 8 Março - 18h30_ 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Fernando Cabrita & António Ventura
6.ª, 14 Março - 18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Sara Monteiro + leituras encenadas por José Jesus e Margarida Cândido Lopes
6.ª, 21 Março - 18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Miguel Godinho + leituras encenadas por Mauro Amaral
Sáb. 22 Março - 18h30_ 20h30 - sede da ArQuente, Faro - “Jardim d’Inverno”, performance/ instalação de Ursula Mestre e ninfas, com poemas de Alexandre Homem Dual
6.ª, 28 Março - 18h30_ 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Rogério Cão & Luís Ene + leituras encenadas pelos próprios

6.ª, 4 Abril - 18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com João Bentes + leituras encenadas por TeAtrito
Sáb. 5 Abril - 18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Paulo Rodrigues Ferreira (escritor e livreiro)
6.ª, 11 Abril - 18h30 às 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Luís Nunes Alberto + leituras encenadas por Milai Miu & Teresa da Silva & Luís Ene
6.ª, 18 Abril - 18h30 às 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Isa Mateus + Patrícia Amaral lê poemas


Outros:

Sáb. 1 Março - Cerimónia de abertura: 16h - sede da ArQuente, Faro - Exposição de poemas ilustrados, por Camila Beirão Reis
Sáb. 1 Março - A partir das 16h - Palácio do Tenente, no 3.º BIVAR, Faro - Instalação: "Quem quer ser Português?", por Luis Ene & Rui António
Sáb. 8 Março - 21h - sede da ArQuente, Faro - Espectáculo: VJ Zayle (por confirmar)
Dom. 16 Março - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Ler Alto - sessão de leitura com poetas convidados, aberta à intervenção do público, dinamizado por Pedro Afonso
6.ª, 21 Março - 21h - sede da ArQuente, Faro - Espectáculo: Mauro Amaral & Amigos
Sáb. 22 Março - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - “Jardim d’Inverno”, performance/ instalação de Ursula Mestre e ninfas, com poemas de Alexandre Homem Dual
Sáb. 22 Março - 21h - sede da ArQuente, Faro - Cinema pelo Cineclube de Faro: “Autografia”, por Miguel Gonçalves Mendes
3.ª, 25 Março - 21h_23h - Tertúlia Algarvia - leituras encenadas por José Jesus e Margarida Cândido Lopes de poemas de Sara Monteiro

Dom. 6 Abril - 18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - Instalação performance: "Quem quer ser Português?", por Luis N, Rui António & ArQuente
Sáb. 12 Abril - 21h_23h - Museu Arqueológico de Faro - Espetáculo a designar
Dom. 13 Abril - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Apresentação do trabalho final da Oficina de Performance
4.ª, 16 Abril - 21h_23h - Tertúlia Algarvia - leituras encenadas de, e por, Luís Ene
Sáb. 19 Abril - 21h - sede da ArQuente, Faro - Espetáculo spoken word: Chullage
Dom. 20 Abril - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Ler Alto, sessão de leitura com poetas convidados, aberta à intervenção do público, dinamizado por Pedro Afonso

4.ª, 23 Abril - Cerimónia de fecho, Dia Mundial do Livro - 18h30 - sede da ArQuente, Faro - Apresentação do trabalho final da Oficina de Voz

quarta-feira, 5 de março de 2014

Não posso Não posso


O AMOR É UM BOSQUE VERDE

o meu amado é um urso
macio e peludo
protege-me do infinito
resguarda-me da eternidade

cerejas amoras morangos
carregados de mel vem

estendemos a toalha
comemos e bebemos comida
fresca

saciados adensamos
pelo bosque onde à noite
o lobo dança

veados corças cavalos
tordos melros cotovias
a poupa canta

o meu amado é um urso
de patas pesadas
que me protege de perguntas difíceis
dos mistérios do mundo

inventa bosques e sombras
não quer saber da verdade
a verdade é uma história indecente
que vive fora do bosque e do mel

       de manhã no bosque
à noite no bosque
enquanto o lobo dança
e as amoras escorrem em sumo
pela pele
nada é transcendente
o céu pode deixar de existir
eu encosto-me ao urso
e só ficam as coisas da terra.

Sara Monteiro



---------------------------> ouça o poema AQUI!

terça-feira, 4 de março de 2014

AINDA O DESAFIO

Já lancei aqui o desafio e dei-lhe uma primeira resposta. Agora lanço-o de novo e dou-lhe uma nova resposta. Escolhi uma ilustração de um poema da Sara Monteiro, que me dizia ainda ontem que não era capaz de escrever um poema a partir da ilustração do seu próprio poema e a quem respondi que o fizesse a partir de outra ilustração.

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POR ISSO

Quando eu era jovem a minha mãe vestia-me muitas vezes
em tons claros e escuros de castanho 
e de bege
que é uma forma ainda mais aborrecida
de ser castanho

Por isso eu invejava as árvores que ao castanho do tronco
acrescentam o verde amarelo vermelho das folhas
e a poesia colorida das suas muitas flores e frutos

Por isso eu escrevia poemas tristes que falavam da morte
como uma coisa divertida que um dia me iria acontecer

Luís Ene, Faro, 5 de Março de 2014

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fim-de-semana Poesia & Companhia

MARÇO


7 - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Tiago Nené + leituras encenadas por João Machado
8 - Sábado
14h_18h - sede da ArQuente, Faro - Curso Breve de nova Literatura Portuguesa: 1. microficção, por Paulo Pires
18h30_ 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Fernando Cabrita & António Ventura
21h - sede da ArQuente, Faro - Espectáculo: VJ Zayle




segunda-feira, 3 de março de 2014

PINGA




A meio da página pinga uma palavra






 pinga






A meio da página, pinga uma palavra como qualquer
outra. Todavia...
Tudo havia efectivamente, carradas de palavras,
léxicos, dicionários, enciclopédias no entanto só pinga
pingou porque ninguèm pinga como pinga pinga, nem
mesmo essas orientalices, essas cinhesices do ping
pong.



A propósito, é melhor a arranjar a torneira.


Luis Nunes Alberto in Amor de Pedra, Algarve em Foco Editora





DESAFIO POÉTICO

Camila Beirão dos Reis, autora da exposição a ser vista na sede da ArQuente, lançou o desafio aos poetas que tiveram os seus poemas ilustrados para inverterem o processo e escreverem um poema a partir da ilustração. Está o desafio lançado, aos poetas ilustrados e também a quem o quiser aceitar. Iremos divulgando aqui os resultados. Visita a exposição, escreve um poema a partir de uma das ilustrações e envia-nos

A primeira resposta, o primeiro poema!


CORPO DE POESIA


alguns dizem que temos
corpo
alguns dizem que temos
alma
alguns dizem que temos
corpo e alma

seja como for uma coisa
é certa
o corpo qualquer corpo
é composto de água
a alma qualquer alma
alimenta-se

de poesia


Luís Ene, a partir da ilustração do seu poema