as mulheres tiram seus panos crus
na hora incerta de uma canção
com os seus passos de fogo nus
no núcleo do grunhido vivo
na hora incerta de uma canção
as mulheres amam as esculturas dos anjos
o palato dos mesmos
bocejando nos seus umbigos e nas suas coxas
as mulheres amam os seus umbigos
as mulheres amam-se nas sombras dos pecadores
amam as praças carregadas de pássaros quentes
amam o vento nas penas dos pássaros quentes
as mulheres amam a vertigem do vento
as mulheres amam a versatilidade do vento
e a boca dos cavalos
Rogério Cão
terça-feira, 8 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
poema a sul e branco
aqui a sul
saímos da casca dos dias invernengos
caracóis cautelosos
de corpos moles e lentos
depois das chuvas já terem secado
na calidez telúrica do tempo
aqui a sul
a cor do céu espelhada no mar
confunde-se com
a cor do mar espalhada pelo céu
e a salmoura entranha-se nas palavras
e as bocas são banhadas por uma luz
olímpica de sol de verão
as paredes das casas
desmaiam-se de amores por dentro
de suores salgados queimando corpos morenos
gotas de desejo percorrendo nus flancos
desenhando um poema a sul e branco
Alexandre Homem Dual
saímos da casca dos dias invernengos
caracóis cautelosos
de corpos moles e lentos
depois das chuvas já terem secado
na calidez telúrica do tempo
aqui a sul
a cor do céu espelhada no mar
confunde-se com
a cor do mar espalhada pelo céu
e a salmoura entranha-se nas palavras
e as bocas são banhadas por uma luz
olímpica de sol de verão
as paredes das casas
desmaiam-se de amores por dentro
de suores salgados queimando corpos morenos
gotas de desejo percorrendo nus flancos
desenhando um poema a sul e branco
Alexandre Homem Dual
Abril 4/5/6
4 - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com João Bentes + leituras encenadas por TeAtrito
5 - Sábado
15h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de performance (1), por Manuel Almeida Sousa
Noite por ti despida
Adulta é a noite onde cresce
o teu corpo azul. A claridade
que se dá em troca dos meus ombros
cansados. Reflexos
coloridos. Amei
o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada
sem fim. Canto apenas (enquanto os álamos
amadurecem) a transparência, o caminho. A noite
por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.
Casimiro de Brito
o teu corpo azul. A claridade
que se dá em troca dos meus ombros
cansados. Reflexos
coloridos. Amei
o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada
sem fim. Canto apenas (enquanto os álamos
amadurecem) a transparência, o caminho. A noite
por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.
Casimiro de Brito
sábado, 5 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Cai a chuva no portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.
Lídia Jorge
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Melancolia
Oh doce luz! oh lua!
Que luz suave a tua,
E como se insinua
Em alma que flutua
De engano em desengano!
Oh criação sublime!
A tua luz reprime
As tentações do crime,
E à dor que nos oprime
Abres-lhe um oceano!
É esse céu um lago,
E tu, reflexo vago
Dum sol, como o que eu trago
No seio, onde o afago,
No seio, onde o aperto?
Oh luz orfã do dia!
Que mística harmonia
Há nessa luz tão fria,
E a sombra que me guia
Neste areal deserto!
Embora as nuvens trajem
De dia outra roupagem,
O sol, de que és imagem,
Não tem essa linguagem
Que encanta, que namora!
Fita-te a gente, estuda,
(Sem medo que se iluda)
Essa linguagem muda...
O teu olhar ajuda...
E a gente sente e chora!
Ah! sempre que descrevas
A órbita que levas,
Confia-me o que escrevas
De quanto vês nas trevas,
Que a luz do sol encobre!
As vítimas, que escutas,
De traças mais astutas
Que as dessas feras brutas...
E as lástimas, as lutas
Da orfã e do pobre!
João de Deus
Que luz suave a tua,
E como se insinua
Em alma que flutua
De engano em desengano!
Oh criação sublime!
A tua luz reprime
As tentações do crime,
E à dor que nos oprime
Abres-lhe um oceano!
É esse céu um lago,
E tu, reflexo vago
Dum sol, como o que eu trago
No seio, onde o afago,
No seio, onde o aperto?
Oh luz orfã do dia!
Que mística harmonia
Há nessa luz tão fria,
E a sombra que me guia
Neste areal deserto!
Embora as nuvens trajem
De dia outra roupagem,
O sol, de que és imagem,
Não tem essa linguagem
Que encanta, que namora!
Fita-te a gente, estuda,
(Sem medo que se iluda)
Essa linguagem muda...
O teu olhar ajuda...
E a gente sente e chora!
Ah! sempre que descrevas
A órbita que levas,
Confia-me o que escrevas
De quanto vês nas trevas,
Que a luz do sol encobre!
As vítimas, que escutas,
De traças mais astutas
Que as dessas feras brutas...
E as lástimas, as lutas
Da orfã e do pobre!
João de Deus
terça-feira, 1 de abril de 2014
Agora que morreste
Agora que morreste Mãe
e só em mim te tenho
sou mais que o meu tamanho
porque sou tu também
Tuas mãos afagam minhas mãos
de quem são estes gestos esta pele?
Nunca me deste irmãos
só contigo reparto o meu farnel
de quotidianos fardos e alegrias
breves e desta brasa em chaga
que é tua ausência nos meus dias
órfãos mas sempre ao colo desta mágoa
de não te ter de te ter sido esquiva
de não te ter nunca aberto as portas
do meu ser de nunca te ter dado vivas
o que hoje já só são carícias mortas
Teresa Rita Lopes
e só em mim te tenho
sou mais que o meu tamanho
porque sou tu também
Tuas mãos afagam minhas mãos
de quem são estes gestos esta pele?
Nunca me deste irmãos
só contigo reparto o meu farnel
de quotidianos fardos e alegrias
breves e desta brasa em chaga
que é tua ausência nos meus dias
órfãos mas sempre ao colo desta mágoa
de não te ter de te ter sido esquiva
de não te ter nunca aberto as portas
do meu ser de nunca te ter dado vivas
o que hoje já só são carícias mortas
Teresa Rita Lopes
OFICINA DE PERFORMANCE
Oficina de performance , por Manuel Almeida Sousa - €20
Sáb. 5 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - (1)
Sáb. 12 Abril - 15h - sede da ArQuente, Faro - Oficina de performance (2)
Inclui realização de uma performance como exercício final para todos os interessados
*
manuel de almeida e sousa nasceu em cascais no ano de 1947.
formado pela escola superior de teatro
(conservatório nacional de lisboa)
outras formações: - pós graduação em estudos de
teatro (faculdade de letras de lisboa)
é formador de professores para a área da
expressão dramática (reconhecido pela universidade de braga)
iniciou a sua actividade como profissional de
teatro no ano de 1976 no projecto "anima" - acção de poesia visual
portuguesa e posteriormente dedicou-se ao teatro para a infância.
em 1979 criou o grupo "mandrágora"
(associação cultural com acções experimentais na área do teatro e da
performance-art) onde encenou e participou como actor/performer na quase
totalidade das produções.
no ano de 1980, entra para a escola secundária
passos manuel como professor para as expressões artísticas - oficinas de
expressão dramática e teatro educação. nessa escola secundária cria e estrutura
o curso profissional de formação de actores (nível secundário).
manuel de almeida e sousa tem ainda
desenvolvido projectos na área das artes gráficas, performance art, mail art,
poesia experimental e outras acções no campo das artes performativas.
está representado em projectos da dita
"vanguarda estética" em espanha, frança, itália, polónia e bélgica.
recentemente, os seus projectos dramáticos,
foram editados no brasil - livro com 5 peças teatrais de sua autoria.
***
A OFICINA
propõe o “jogo” como meio para o atingir o acto em processo
e progresso chave: - MEMÓRIA ---> a do quotidiano > a do movimento
> a do ritmo > a dos objectos
DESTINADA A TODOS
IDADE SUPERIOR A 16 Anos
DA PERFORMANCE-ARTE
As correntes estéticas que irrompem no século XX, todas elas, propõem uma interligação das diferentes “disciplinas”
artísticas.
A performance-arte é uma das acções estéticas que explora esse “ligar”, ou um “religar” (não ler como "re-ligare" - religião). Ou talvez… também sim, porque não?... Uma vez que o “drama” nasce precisamente do
ritmo, do movimento do corpo. E, o corpo é aqui - na performance-arte - o objecto estético em processo...
segunda-feira, 31 de março de 2014
Não posso adiar o amor para outro século
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
domingo, 30 de março de 2014
Lembrança da Ria de Faro
Dunas atrás da casa
gafanhotos cor de
madeira cardos cor de areia
ao fim da tarde,
barcos na água rósea
onde a cidade, em frente à casa, cai
De madeira caiada a
casa está
sobre a areia, que escurece quando
a maré devagar desce na praia
Gastão Cruz
gafanhotos cor de
madeira cardos cor de areia
ao fim da tarde,
barcos na água rósea
onde a cidade, em frente à casa, cai
De madeira caiada a
casa está
sobre a areia, que escurece quando
a maré devagar desce na praia
Gastão Cruz
sábado, 29 de março de 2014
Mais um poema
Verões virão
E verões virão ainda
de pés descalços
de apanhar pedras na praia
de cheirar a cor do mar
de usar tão curta a saia.
E verões virão ainda
de subir rochas
usar no pé uma sandália
cantar canções
fazer rodar a saia.
E virão verões assim ainda.
E verões virão ainda
de nadar umas braçadas
beber taças de mojitos
comer camarão picante
deixar cair a saia.
E verões virão
em que o mar se aquietará
e nem pés nus nem nas sandálias.
A conta gotas
onde é que estou
para onde fui
o que é que eu fiz
às minhas saias.
Sara Monteiro
Sara Monteiro
sexta-feira, 28 de março de 2014
Luar de Agosto
Luar de Agosto, o céu em lua cheia!
Na mole intumescência o mar cantando,
Parece estar uma oração rezando...
E, por cenário, o fundo duma aldeia...
Insisto: Algarve em festa; bruxuleia
A luz da lua, tudo prateando
Num milagre de luz, que vai mostrando
Festa que lembra uma Panateneia...
Há saudades de amor e de verbenas...
Trilam as rãs, desfolham-se açucenas,
À luz mortiça do luar dorido...
E é Faro a Sulamitis descansada
No regaço da noite, desmaiada,
Sem os astros a terem pressentido!
Vítor Castella
Na mole intumescência o mar cantando,
Parece estar uma oração rezando...
E, por cenário, o fundo duma aldeia...
Insisto: Algarve em festa; bruxuleia
A luz da lua, tudo prateando
Num milagre de luz, que vai mostrando
Festa que lembra uma Panateneia...
Há saudades de amor e de verbenas...
Trilam as rãs, desfolham-se açucenas,
À luz mortiça do luar dorido...
E é Faro a Sulamitis descansada
No regaço da noite, desmaiada,
Sem os astros a terem pressentido!
Vítor Castella
quinta-feira, 27 de março de 2014
Vila do Bispo
Os poetas doentes de palavras
habitam litorais enevoados
percorrem praias de calhaus
ao sabor de ventos e marés.
Haverá sempre uma duna
que lhes desperte um sentimento
água límpida, poentes
lágrimas de deuses cinzentos.
Inútil a solidão
da casa da falésia
dos pinheiros na colina
da vegetação ardida
e de novo renascida
pela inevitável passagem das estações.
Melhor a perfeição do casario
a simplicidade da praça
as ruas rectilíneas e desertas
deste sul com sabor atlântico
e restos de navios.
António Ventura
habitam litorais enevoados
percorrem praias de calhaus
ao sabor de ventos e marés.
Haverá sempre uma duna
que lhes desperte um sentimento
água límpida, poentes
lágrimas de deuses cinzentos.
Inútil a solidão
da casa da falésia
dos pinheiros na colina
da vegetação ardida
e de novo renascida
pela inevitável passagem das estações.
Melhor a perfeição do casario
a simplicidade da praça
as ruas rectilíneas e desertas
deste sul com sabor atlântico
e restos de navios.
António Ventura
quarta-feira, 26 de março de 2014
Eu acredito no silêncio
Eu acredito no silêncio.
Eu creio no seu poder.
Não é preciso mostrar
O som da palavra,
Basta olhar…
Não é preciso gritar
O som da dor,
Basta sentir…
Paula Laranjo
Paula Laranjo
terça-feira, 25 de março de 2014
Formação em literatura - 29 Março
Curso breve de nova literatura portuguesa [1990-2013]: poesia
Descritivo:
Formador: Paulo Pires
Data: 29 de Março de 2014 - 14h00 às 18h00
Local: Associação ArQuente (Faro), no âmbito do Festival Poesia & Companhia
Público-alvo: público em geral
Requer inscrição prévia (mínimo de 8 pessoas) | 10€ por pessoa - desconto aos primeiros cinco inscritos
Conteúdo:
Tanto a novíssima poesia como a fértil microficção portuguesas – universos sobre os quais ainda recai um
acentuado desconhecimento, pouca visibilidade e, por vezes, alguns preconceitos/estereótipos – podem, de facto, pelas suas indesmentíveis vitalidade e diversidade, constituir-se como recursos úteis, dinâmicos e eficazes para a criação e/ou aumento e consolidação dos hábitos de leitura. Paralelamente, é importante, não só para os vários profissionais da área (professores, bibliotecários, animadores e mediadores de leitura, etc.), mas também para o público em geral, ter um conhecimento actualizado, abrangente, sintético e selectivo dos autores e obras, com qualidade literária, que todos os dias chegam às livrarias, contextos digitais e media em Portugal.
Paulo Pires | bio curta
Nasceu em Faro em 1977. Tem formação superior em Línguas e Literaturas Modernas e especializações em Estudos Culturais, em Arquivística e em Música.
Trabalhou vários anos no sector livreiro numa empresa líder de mercado.
Produziu diversas obras de investigação, artigos especializados e conferências, e coordenou colóquios de
referência e tratamento de espólios documentais sobre história contemporânea algarvia.
Tem desenvolvido projectos de mediação e difusão da leitura/literacia com as mais reconhecidas figuras das Letras, Artes e Cultura portuguesas, e em colaboração com a Secretaria de Estado da Cultura.
Dinamiza intervenções culturais de continuidade em bibliotecas e em contextos associativos e escolares (e noutros espaços não convencionais), promovendo práticas de Voluntariado de Leitura.
Colabora assiduamente, a nível de investigação, eventos e publicações, com o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Integra, com Sónia Pereira, o projecto “Experiment’arte” (promoção interdisciplinar da leitura).
É formador nas áreas da Literatura e da Programação Cultural. Escreve regularmente na imprensa sobre cultura, bibliotecas, livros e música.É, actualmente, programador cultural no Município de Silves.
Descritivo:
Formador: Paulo Pires
Data: 29 de Março de 2014 - 14h00 às 18h00
Local: Associação ArQuente (Faro), no âmbito do Festival Poesia & Companhia
Público-alvo: público em geral
Requer inscrição prévia (mínimo de 8 pessoas) | 10€ por pessoa - desconto aos primeiros cinco inscritos
Conteúdo:
Tanto a novíssima poesia como a fértil microficção portuguesas – universos sobre os quais ainda recai um
acentuado desconhecimento, pouca visibilidade e, por vezes, alguns preconceitos/estereótipos – podem, de facto, pelas suas indesmentíveis vitalidade e diversidade, constituir-se como recursos úteis, dinâmicos e eficazes para a criação e/ou aumento e consolidação dos hábitos de leitura. Paralelamente, é importante, não só para os vários profissionais da área (professores, bibliotecários, animadores e mediadores de leitura, etc.), mas também para o público em geral, ter um conhecimento actualizado, abrangente, sintético e selectivo dos autores e obras, com qualidade literária, que todos os dias chegam às livrarias, contextos digitais e media em Portugal.
Paulo Pires | bio curta
Nasceu em Faro em 1977. Tem formação superior em Línguas e Literaturas Modernas e especializações em Estudos Culturais, em Arquivística e em Música.
Trabalhou vários anos no sector livreiro numa empresa líder de mercado.
Produziu diversas obras de investigação, artigos especializados e conferências, e coordenou colóquios de
referência e tratamento de espólios documentais sobre história contemporânea algarvia.
Tem desenvolvido projectos de mediação e difusão da leitura/literacia com as mais reconhecidas figuras das Letras, Artes e Cultura portuguesas, e em colaboração com a Secretaria de Estado da Cultura.
Dinamiza intervenções culturais de continuidade em bibliotecas e em contextos associativos e escolares (e noutros espaços não convencionais), promovendo práticas de Voluntariado de Leitura.
Colabora assiduamente, a nível de investigação, eventos e publicações, com o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Integra, com Sónia Pereira, o projecto “Experiment’arte” (promoção interdisciplinar da leitura).
É formador nas áreas da Literatura e da Programação Cultural. Escreve regularmente na imprensa sobre cultura, bibliotecas, livros e música.É, actualmente, programador cultural no Município de Silves.
2 poemas abertos ao regime, saliva
exorto à primavera que desponta
na erva fofa que cobre os prados
escutando chilrear os pássaros
resmalha-me um regato na boca
e é por isso que em ti penso coelho
correndo para minha toca
dão-te caça a torto e a direito
mas tu único e verdadeiro
és um coelho muito esperto
cada palavra tua uma luz divina
que se entorna por mim adentro
tens perdido cabelo
isso que dizem é só inveja
corre para a minha toca coelho
que eu coço-te a careca
***
no longo frio do inverno
se se assoma a névoa da incerteza
enxugo as lágrimas do medo
e prendo ao quentinho do meu pensamento
os teus discursos sobre crescimento
és duma língua empreendedora
esgalhas tão bem as palavras
quando à coragem portuguesa teces loas
ardem-me os peitos quais fagulhas
ergues alto o mastro da nação
seguem-te muitos capitães
com a brava espada na mão
não me amansa a fera
a pena do poeta peço-te
do alto da sofreguidão
coelho quando possas
refunda-me a constituição
João Bentes
segunda-feira, 24 de março de 2014
POESIA A DOBRAR
28 - Sexta-feira
18h30 / 20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Rogério Cão & Luís Ene + leituras encenadas pelos próprios
por causa do fumo
a metade acesa da lua
derrama-se pelo mar
até à ria
ambos assim
a esta distância
parecem quietos
isto de ter que vir fumar
à janela
é um bocado chato
mas às vezes traz poesia
Pedro Afonso
derrama-se pelo mar
até à ria
ambos assim
a esta distância
parecem quietos
isto de ter que vir fumar
à janela
é um bocado chato
mas às vezes traz poesia
Pedro Afonso
domingo, 23 de março de 2014
OFICINA DE ESCRITA - Luís Ene
23 Março, 16h_18h - Tertúlia Algarvia - Oficina de escrita, por Luís Ene
GUIÃO
- Escreve como a estrada começa
e depois recomeça
A partir de uma frase/verso/poema
de Mário Cesariny o participante será desafiado a escrever, a escrever e a
escrever, e depois a reescrever, marcando dois claros momentos no exercício da
escrita. Será também desafiado a comentar/criticar o seu texto e os textos dos
outros.
Princípios a ter em conta:
Escreve-se escrevendo.
Escrever é rasurar.
Escrever é sempre escrevermo-nos.
I – Ponto de partida
Frase a utilizar
Ama como a estrada começa
Mário Cesariny
Regras básicas:
Escreva sem pensar (muito), deixe
que a mão escreva, deixe que o texto se escreva.
Não apague, não risque, continue
sempre, recomeçando se tal se mostrar necessário.
Não há certo nem errado.
II – Exercícios - Enunciação - A
serem executados pela ordem e na
quantidade desejada
1. Continue a frase, descrevendo,
linha a linha, como/onde/quando a estrada começa (pode pensar ou não em
versos/linhas). Deixe-se guiar pelas palavras, pelos seus sons e pelos seus
sentidos, procure um ritmo.
Exemplo:
Ama como a estrada começa
Pelo princípio do princípio
No ponto exacto onde a imaginaste
...
2. Uilizar a frase, escrevendo
uma pequena ficção. Para tanto altere-se o sujeito e os tempos verbais, se for preciso, e acrescente-se um
resultado, uma conclusão, tanto quanto possível contraditório ou inusitada.
Exemplo:
Ela amava como a estrada
começava, a direito, o pior era quando apareciam as curvas e contra-curvas.
Ele amava como a estrada
começava, o problema é que nunca acabava.
...
3. Use a frase como a primeira de
um diálogo e continua-o. Imagina o que está fora, escuta o diálogo como se o
estivesses a ouvir com dificuldades, como se o tivesses de aclarar, de
completar, de interpretar.
Exemplo.
- Ama como a estrada começa.
- O que queres dizer com isso?
- Porque perguntas? Nunca amaste?
III
Escolha um dos exercícios e
reescreva o material, escolhendo, cortando e corrigindo até encontrar um
resultado final.
sábado, 22 de março de 2014
Quando não tenhas à mão...
Quando não tenhas à mão
Outro livro mais distinto
Lê estes versos que são
Filhos das mágoas que sinto.
António Aleixo
Outro livro mais distinto
Lê estes versos que são
Filhos das mágoas que sinto.
António Aleixo
sexta-feira, 21 de março de 2014
Manifestação poética - Tu és o poema - Vem dizer-te na nossa companhia
dia 22 de Março
Concentração no Maktostas às 16 h
Saída 16:30
Percurso Maktostas sede da ArQuente
Pontos de paragem
1 -maktostas
2 -Pontinha
3 -em frente à zara
4 -Café Aliança,
5 -Jardim Manuel Bivar em frente à estátua de João de Deus
última etapa em direcção à sede da ArQuente
Avaliação Periódica, pressupostos
Rui Manuel Amaral define a literatura como uma macieira que dá laranjas, afirmação instigadora e cheia de potencialidades.
Mas se é fantástico que uma macieira vá além de si mesma e dê laranjas, literais ou poéticas, também confesso que me continuo a surpreender com o facto de uma macieira dar apenas maças.
Agora o que me pareceu sempre um erro, é avaliar uma macieira pela sua incapacidade de dar laranjas. "Sim, as maças desta macieira são fantásticas, mas não são laranjas."
Dito isto e passando ao tema da avaliação, periódica, deste festival, gostaria de lembrar que
O Festival pretende:
- aproximar o público da poesia e dos poetas Algarvios
- promover o diálogo entre a poesia e as outras disciplinas artísticas
- chamar a atenção para a Cidade Velha (revitalização)
- formar, atrair e fidelizar público para as manifestações artísticas
locais, promovendo e facilitando a sua intervenção no desenho do evento
- afirmar a importância da arte
- aproximar os diversos agentes culturais
nesta medida, será com base nestes objectivos, e não noutros que faremos qualquer avaliação.
E devo notar que a participação/intervenção no desenho do evento esteve e está sempre em aberto, dependendo de todos o que quiserem fazer este festival.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Elegia
Ouvi dizer que não se dava com ninguém,
nos últimos tempos; subia sozinho a rua, até ao café,
e nada lhe desviava o olhar de uma atenção fixa
em algures, ou num pensamento que guardou para
si próprio. A vida é sempre uma realidade frágil
para quem se apercebe do outono e os primeiros ventos
do norte, que trazem consigo os céus limpos e as nuvens frias,
arrefecem a alma que não ganhou o hábito da solidão. “A poesia,
respondo-lhe, não dá resposta a esse último desconforto
do ser.” Ele não me ouve, agora que o seu próprio nome
se apaga na monotonia das tardes e das lentas estações. Só
uma ave antiga cruza, por vezes, o céu de esquecimento
em que a sua sombra dorme; deixando um sulco de asas,
como um verso, acordar por instantes a sua imagem.
Nuno Júdice
nos últimos tempos; subia sozinho a rua, até ao café,
e nada lhe desviava o olhar de uma atenção fixa
em algures, ou num pensamento que guardou para
si próprio. A vida é sempre uma realidade frágil
para quem se apercebe do outono e os primeiros ventos
do norte, que trazem consigo os céus limpos e as nuvens frias,
arrefecem a alma que não ganhou o hábito da solidão. “A poesia,
respondo-lhe, não dá resposta a esse último desconforto
do ser.” Ele não me ouve, agora que o seu próprio nome
se apaga na monotonia das tardes e das lentas estações. Só
uma ave antiga cruza, por vezes, o céu de esquecimento
em que a sua sombra dorme; deixando um sulco de asas,
como um verso, acordar por instantes a sua imagem.
Nuno Júdice
quarta-feira, 19 de março de 2014
Tarde de leite e rosas, ouvindo a floresta
Tarde de leite e rosas. Cada aresta,
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol poente.
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol poente.
Tu querias sorver os poderosos
Lamentos de saudade e comoção
Que, as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, pra o clarão.
Lamentos de saudade e comoção
Que, as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, pra o clarão.
Opalescera já, o ar. O vento,
Correndo atrás da sombra, murmurou...
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento,
A floresta, cantou.
Correndo atrás da sombra, murmurou...
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento,
A floresta, cantou.
Em cada ramo, um violino havia:
Cada folha vibrava, ágil, sonora,
Par'cendo que escondia uma harmonia,
Nas sombras das ramagens, a Aurora.
Cada folha vibrava, ágil, sonora,
Par'cendo que escondia uma harmonia,
Nas sombras das ramagens, a Aurora.
Como a floresta, meu amor, eu tento,
Atirar o meu canto pra a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Pra me fazer cantar, no pensamento,
Passa o sopro da tua formosura
Atirar o meu canto pra a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Pra me fazer cantar, no pensamento,
Passa o sopro da tua formosura
João Lúcio
Próximo fim-de-semana na nossa companhia
21 - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Miguel Godinho + leituras encenadas por Mauro Amaral
21h - sede da ArQuente, Faro - Espectáculo: Mauro Amaral & Amigos
22- Sábado
16h - Manifestação poética - Tu és o poema - Vem dizer-te na nossa companhia - Concentração às 16 horas em frente ao Maktostas
18h30_ 20h30 - Conversa a propósito de Cidade Autuada - a partir de um auto para Jerusálem de Mário Cesariny
21h - Museu Municipal de Faro - Cinema pelo Cineclube de Faro: “Autografia”, por Miguel Gonçalves Mendes
23 - Domingo
16h_18h - Tertúlia Algarvia - Oficina de escrita, por Luís Ene (máx. 15)
18:30 - Abertura da exposição/ocupação "O meu Quadro é um poema", de Armando Correia.
terça-feira, 18 de março de 2014
OFICINA DE ESCRITA - 23 de Março
Oficina de escrita, por Luís Ene
Dom. 23 Março - 16h/18h - Tertúlia Algarvia - €10 (Desconto para os primeiros cinco inscritos) Máximo de 15 participantes
Escreve como a estrada começa e depois recomeça
A partir de uma frase/verso/poema o formando será desafiado
a escrever, a escrever e a escrever, e depois a reescrever, marcando dois
claros momentos no exercício da escrita. Será também desafiado a
comentar/criticar o seu texto e os textos dos outros.
Sobre o formador
Luís Ene foi, em 2002, vencedor da 1ª edição do concurso Novos Talentos com o romance 'A Justa Medida'. No mesmo ano, criou o blog Mil e Uma Pequenas Histórias. Está representado em várias antologias poéticas. Foi fundador e co-editor da Minguante, revista de micro-narrativas online. Manteve durante dois anos um programa semanal dedicado à literatura na Rádio Universitária do Algarve. Faz parte do projecto musical SomComTom. Esteve na origem dos grupos literários Sulscrito e Texto-al. Mantém actualmente o blog Ene Coisas.
segunda-feira, 17 de março de 2014
S/título
Ergo os olhos acima da
linha
de água e contemplo
os versos que os seixos desenham
à tona de mim.
Mergulho as mãos, pelo avesso,
no espelho da bacia e desconheço
o cheiro a mel e amêndoas
no fundo das palavras.
À superfície, boiam mortas as folhas
de oliveiras ancestrais;
mas no fundo, lá bem no fundo,
é o teu rosto que me assombra...
Alexandre Homem Dual
domingo, 16 de março de 2014
Respirar Fundo
Hoje senti-me uma resistente, como se tivesse encontrado uma bolha de oxigénio que permite sobreviver ao ar pesado que o quotidiano nos impõe. Afinal somos mais a resistir. A resistir ao mais do mesmo, ao fazer mais com menos, ao aparecer só para ser visto, à acção que não tem outro objectivo senão apenas ficar registado numa qualquer objectiva. Resistimos pela palavra, essa arma que tem tanto de subtil quanto de poderosa. Resistimos pela poesia. Uns já resistentes experientes, outros que se arriscavam pela primeira vez. Uns dando voz à sua poesia, outros à de outros. Pela poesia apenas. Pelo puro gozo da palavra. Hoje resistimos, e isso dá-me esperança!
Anabela Afonso
[A propósito do Ler Alto de dia 16]
Anabela Afonso
[A propósito do Ler Alto de dia 16]
sábado, 15 de março de 2014
Poema de Amor para Uso Tópico
Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.
Nuno Júdice
Poesia & Companhia no Estado da Arte
Estado da Arte
FESTIVAL POESIA E COMPANHIA, EM FARO.
Primeira Emissão: 14 Mar 2014
Duração: 04m
Classificação:
Duração: 04m
Classificação:
De Norte a Sul do país há um estaleiro de acontecimentos em construção.
Estado da Arte:
Um palco
Um espetáculo
Uma emoção
Uma ideia
Um convite aos ouvintes? para a galeria de artes da rádio?
Todos os dias...
Medimos o Estado da criação nacional
Do projeto à obra-prima... no Estado da Arte?
De 2 a 6ª feira às 16:11 com Eduarda Maio.
Estado da Arte:
Um palco
Um espetáculo
Uma emoção
Uma ideia
Um convite aos ouvintes? para a galeria de artes da rádio?
Todos os dias...
Medimos o Estado da criação nacional
Do projeto à obra-prima... no Estado da Arte?
De 2 a 6ª feira às 16:11 com Eduarda Maio.
---------------------> Pode ouvir AQUI
Fotografia de Raquel Ponte
sexta-feira, 14 de março de 2014
Desafio superado :)
No dia em que iremos estar com a Sara Monteiro igualo aqui o seu desafio, com muito prazer e um enorme sorriso.
O poema não é fogo
nem cinza
não é uma coisa
nem outra
o poema
é sempre uma coisa
outra
(fumo que arde
sem fogo
nos olhos
cinzentos do
conformismo)
(dor que
se inflama
improvável
no contínuo fogo
da vida)
cinzentos do
conformismo)
(dor que
se inflama
improvável
no contínuo fogo
da vida)
Sara Monteiro escreve a imagem
O desafio continua de pé e a Sara Monteiro responde de novo, criando um poema para ilustração de Camila Beirão dos Reis a um poema de Rogério Cão.
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São carapaças
as carapaças. caixas dos ouriços que restaram abrigo de eremitas.
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São carapaças
as carapaças. caixas dos ouriços que restaram abrigo de eremitas.
quinta-feira, 13 de março de 2014
14 DE MARÇO
14 Março - Sexta-feira
18h30_20h30 - sede da ArQuente, Faro - À conversa com Sara Monteiro + leituras encenadas por José Jesus e Margarida Cândido Lopes
Boca
Irrompe
feito Verbo, o pensamento
Pela boca, e na graça de um sorriso
Descobre o nosso olhar um paraíso
Num fulgurante e rápido momento.
Pela boca, e na graça de um sorriso
Descobre o nosso olhar um paraíso
Num fulgurante e rápido momento.
Da boca sai
o cântico e o lamento;
As lindas rosas da manhã diviso
Na tua boca, e em beijos corporizo
O meu desejo rútilo e sangrento…
As lindas rosas da manhã diviso
Na tua boca, e em beijos corporizo
O meu desejo rútilo e sangrento…
Folha
revolta, arrebatada palma
Do vento impetuoso da paixão,
A teus pés, caindo-te a minha alma,
Do vento impetuoso da paixão,
A teus pés, caindo-te a minha alma,
Arde em mim,
Bem-Amada, a ânsia louca
(Para sentir melhor teu coração)
De colar ao teu seio a minha boca…
(Para sentir melhor teu coração)
De colar ao teu seio a minha boca…
Cândido Guerreiro
Perfídia
Incrível como se ama
qualquer animal
recém-nascido.
por isso, ainda
que em vão, amamos
o amor quando nasce, esse
animal que em criança
alimentamos,
e que um dia
nos comerá o coração.
Tiago Nené
qualquer animal
recém-nascido.
por isso, ainda
que em vão, amamos
o amor quando nasce, esse
animal que em criança
alimentamos,
e que um dia
nos comerá o coração.
Tiago Nené
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